BioNúcleo

Nova direcção

 

            Começamos, antes de mais, por nos dirigir à direcção cessante com o nosso muito obrigado. Muito obrigado pela forma exemplar com que conduziram este nosso núcleo durante todo o vosso mandato e acima de tudo um grande obrigado por nos terem deixado em mãos um BioNúcleo renovado, animado de dinamismo e responsabilidade. Obrigado e parabéns. Queremos ainda agradecer ao Departamento de Biologia a forma como tem acarinhado e apoiado o BioNúcleo, e salientar que da nossa parte tudo faremos para manter este bom relacionamento.

 

Actividades

 

Aventura no Verão “Observação de aves marinhas em navegação costeira”

 

            Quem não se lembra, no final do passado ano lectivo, da proposta da anterior direcção “Observação de aves marinhas em navegação costeira” que, acabou por se concretizar no início deste nosso mandato? Este arrojado projecto contou com o dinamismo e empenho do Porf. Dr. António Luís, docente do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e de Augusto Pereira director da Escola de Vela e Navegação ‘Quatro Ventos’, mentores e co-organizadores neste projecto do BioNúcleo. O cariz inovador desta iniciativa permitiu aliar a formação científica na área da ornitologia à aprendizagem de noções de navegação e orientação em alto mar, oferecendo ainda momentos lúdicos de puro lazer e espírito de aventura. 

            A viagem foi dividida em dois percursos: de 2 a 5 de Agosto velejou-se de Aveiro a Peniche e de 6 a 9 Peniche – Lagos, sendo a lotação de cada um dos percursos, para além do formador e capitão, de 7 tripulantes. Tal como nos têm vindo a habituar, membros e publico em geral, aderiu em massa a esta empreendedora jornada Lúdico-formativa tendo o número de interessados em muito superado o número de vagas existentes.

            O pré-embarque foi um misto de ansiedade e receio! Todos haviam ouvido falar nas náuseas, na agonia do enjoo marítimo e sobre todos pairava a dúvida… para o bem de todos não passou disso mesmo! Após os primeiros minutos de ligeira indisposição inicial já todos se haviam adaptado ao embalar da ondulação e a beleza do momento seduziu um por um, os tripulantes do ELKE V que milha a milha se foram apaixonando pela vida no mar e pela arte de velejar.

            “Caça o cabo”, “Cuidado com a retranca!” “Temos vento, vamos  erguer o balão",“Pardela-de-bico amarelo a bombordo” “olha um Ganso-patola adulto”… estas são algumas das expressões que provocaram estranheza nos recém chegados a bordo mas que rapidamente passaram a fazer parte do seu quotidiano de velejar o mar e das nostálgicas viagens de quem recorda…

           

Independentemente do local de partida, da distância percorrida e dos ligeiros enjoos de inicio de viagem, a paixão pelo mar contagiou de tal forma todos os participantes que foi mais difícil a readaptação à terra que a adaptação ao mar…e todos, todos sem excepção se perguntam “para quando uma próxima jornada?”

 

 

Curso de Fotografia Natural

 

Como já é tradição do BioNúcleo, realizou-se entre os dias 21 e 26 de Outubro o curso de Fotografia Natural, numa organização conjunta BioNúcleo/IPJ Aveiro tendo-se mais uma vez contado com Luís Jorge Fardinha como formador. A grande afluência a este curso histórico mostrou uma vez mais que a fotografia natural continua a captar a atenção dos amantes da natureza, e, foi a contra gosto que, após “lotação esgotada” nos vimos obrigados a recusar inscrições.

O curso, leccionado em horário pós laboral, iniciou-se com algumas noções sobre fotografia, constituintes da máquina fotográfica e seu funcionamento. Seguiu-se à formação teórica, adquirida por alguns e sedimentada por outros, a tão esperada componente prática. Esta iniciou-se na tarde de quarta-feira com Macro-Fotografia passada entre máquinas, flashes, foles, plantas e alguns “bicharocos” colaboradores. A quinta e sexta ficaram para Fotografia Livre, subordinada ao tema “Paisagem Humanizada”, que, apesar da chuva e alguns “incidentes educativos” proporcionou alguns “bonecos engraçados”, citando o nosso formador.

   

       

O fim-de-semana foi dedicado à fotografia de emboscada e nocturna tendo-se feito uma saída de campo à Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto. Uma vez mais a chuva traiçoeira ameaçou boicotar a actividade, mas o pessoal estava animado e acima de tudo confiante, “o tempo ainda vai mudar!”…e se não mudasse fotografar-se-ia na mesma! Qualquer um consegue boas fotografias em boas condições, o desafio era conseguir fazer coisas engraçadas mesmo com alguns chuviscos “à mistura”! Uns de carrinha outros de lancha lá fomos todos rumo a S. Jacinto onde nos aguardava a acolhedora casa de abrigo da Reserva.

Com vista a por em prática os conhecimentos recém adquiridos, e para aproveitar as horas de luz, de maquina em riste envolta em papel aderente (não fosse o S. Pedro tece-las...) fizemo-nos ao trilho. O trajecto estava “carregado” de Acácias mas, por entre as manchas de Pinheiros, e alguma vegetação ribeirinha lá se encontrou o cenário perfeito para fazer o gostinho ao dedo sendo os motivos mais focados os cogumelos e os líquenes que proliferavam pendentes nos ramos de pinheiros bravos.

Chegados à Pateira: Silêncio Absoluto! Desta feita foi a vez dos patos “olharem para o passarinho” e, colaborando graciosamente com a objectiva foram motivo principal de grande parte da película utilizada neste fim-de-semana.

Por fim e com uma noite bastante agradável, entrou-se floresta dentro para uma sessão de Fotografia Nocturna, animada de calor humano e cheia de novos conceitos fotográficos. O dia acabou da melhor forma possível! Um longo serão de conversa e confraternização! Tão longo que, para alguns, se prolongou até ao amanhecer. Estes puderam então regressar à Pateira, para nova sessão fotográfica, tendo o nascer do Sol como cenário.

 

 

Saída à serra da Lousã – Sábado 22 de Novembro

 

Após uma semana radiante eis que nos chega uma sexta-feira tempestuosa que nos fez vacilar: Ir ou não ir, eis a questão! O espírito de aventura falou mais alto…VAMOS!...e fomos!

 Sábia decisão a nossa! A intempérie que ameaçava o fim-de-semana “recuou” perante a nossa determinação e não se atreveu a largar uma gota que fosse, o dia permaneceu cinzento, mas seco! Ou mais ou menos…

Esta saída prometia!!! De cariz multidisciplinar contava com a orientação dos Biólogos Carlos Fonseca, António Luís e Paulo Silveira, docentes do departamento de Biologia, que cativaram os 18 madrugadores que às 7 da manha lá foram chegando ávidos de conhecimento, “carregados” de boa disposição…e sono!

Chegados à Lousã fez-se uma breve paragem para o cafezinho e…”ala que se faz tarde!”. Chegados a Serra era a altura ideal para fazer o ponto da situação. Enquanto o Professor Carlos Fonseca fazia uma breve introdução ao ecossistema de montanha, descrevendo mais pormenorizadamente a serra e os percursos que iríamos percorrer, o BioNúcleo foi distribuindo guias e binóculos para que todos conseguissem retirar o melhor proveito desta visita. Finda a conversa sobre os trilhos foi a vez de cada um dos orientadores nos por a par da abordagem que cada um iria fazer desta luxuriante paisagem.

 A Serra da Lousã surgiu-nos repleta da água de sexta-feira que encheu as linhas de água presenteando-nos com tímidas cascatas que despontavam aqui e além formando riachos de beleza cristalina. As árvores “choviam” à nossa passagem e a diversidade de cores e formas dos cogumelos seduzia as lentes das câmaras fotográficas. Enquanto o professor Paulo nos ia desvendando os mistério da vegetação circundante o Profesor António Luís ia relacionando-a com a avifauna que ia-mos vendo e ouvindo, falando-nos do timbre, das cores e das formas dessa “biomassa com asas” como diria animadamente o professor Carlos Fonseca. Quanto aos mamíferos, esses, foram-nos “presenteando” com indícios de presença pois, a sua observação, tal como é sobejamente sabido é difícil de efectuar.

Tendo esta Serra uma população bastante estável de ungulados fez-se um primeiro percurso numa zona com elevada densidade populacional de corço. Por entre trilhos verdejantes e sinuosos fomos encontrando indícios de presença que, não fosse o alerta do nosso perito, teriam passado despercebidos. Findo este percurso dirigimo-nos, já de mini-bus, para a casa do guarda onde, aconchegados pelo calor da lareira, podémos comer a nossa merenda e partilhar experiências do magnífico mas difícil trilho palmilhado. Recobradas as forças e sem perder tempo, iniciámos o designado “trilho dos veados”.

Ainda a poucos passos da casa de abrigo, já nos havíamos deparado com fortes indícios da presença do veado…eles andam aí!!! A expectativa de vermos um veado era crescente e em cada nova encosta procurava-se incessantemente uma mancha castanha no ondular verde da serra. Mas o maior herbívoro da fauna silvestre portuguesa parecia disposto a não colaborar! Esta não era melhor época para se observarem veados mas, já quase no final do trilho, e com a noite e nevoeiro a avançar ameaçadoramente, eis que surgem dissimuladas no matagal uma fêmea e sua cria que pacatamente pastavam alheadas ao batalhão de olhos que entretanto se haviam prostrado sobre elas. Foi a culminar de um dia já de si mágico repleto de novas sensações e descobertas. Cansados mas extasiados o sentimento de felicidade era generalizado. Citando um dos participantes: “Só tenho um adjectivo: Gostei!!”

 

Próximas actividades

 

Dezembro    

            - Coastwatch (a decorrer)

            - Palestra “Anfíbios e Répteis na Universidade de Aveiro” (dia 3) co-organizada com a aluna de Mestrado em Ciências das Zonas Costeiras Ana Jérvis Cunha.

            - Curso de Ilustração Científica a Preto e Branco (dias 6,7,8 + 13 e 14)

            - Colóquio co-organizado com a Delegação regional do Centro da Ordem dos Biólogos subordinado ao tema: “Saídas profissionais para Biólogos. Presente e Futuro.” (dia 10)

 

Para mais informações contacte-nos para o 962859535 ou por e-mail para bionucleoaauav@mail.pt. Ainda pode visitar-nos na sede do BioNúcleo às quartas-feiras das 14:00h às 16:00h.

 

Direcção para 2002/2003:

Coordenador: Anabela Paula;

Tesoureiro: Emanuel Ribeiro;

Secretário: Ana Sanches;

1º vogal: Márcia Pinto;
            2º vogal: João Paula;
            3º vogal: Ricardo Santos;

4º vogal: João Silva;

 

 

 

Imagens de Anabela Paula